Grandes projectos são feitos com grandes pessoas: consulte aqui as oportunidades.

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Nutrição e resiliência

Transferimos conhecimento sobre formas de transformação alimentar e partilhamos experiências em actividades de nutrição para que as famílias tenham maior Resiliência.

Com a maquinaria entregue pelo FRESAN, a Estação Experimental Agrícola do Namibe terá condições para disponibilizar uma série de sementes para produção agrícola às comunidades e agricultores familiares no Sul de Angola.

Patrícia Carvalho, coordenadora geral do FRESAN no Camões, I.P.

Nutrição

A estratégia da União Europeia do Prado ao Prato

A desnutrição, responsável por metade das mortes de crianças no globo, tem implicações no desenvolvimento físico e intelectual dos seres humanos ao longo da vida. As situações de insegurança alimentar caracterizam-se pela dificuldade de acesso aos alimentos, tanto em quantidade como em qualidade. Em Angola a insegurança alimentar é também potenciada pelas permanentes dúvidas com que as famílias lidam sobre o melhor alimento a proporcionar aos membros dos seus agregados.

As principais manifestações de insegurança alimentar são a fome, a desnutrição e a obesidade. As duas primeiras são as mais graves em território angolano, onde cerca de 2 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crónica moderada, e mais de 700 mil sofrem de desnutrição grave. São 38 crianças angolanas em cada 100 (dados de 2016 do IIMS – Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde).

De acordo com o censo populacional de 2014, em Angola havia quase 5 milhões de crianças menores de cinco anos. No último IIMS, de 2016, nas províncias do Bié, Moxico, Cunene, Huíla e Luanda eram contabilizadas mais de 300 mortes por desnutrição em mais de 4 mil casos registados.

No entanto, um relatório da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura divulgado em 2014 revela que nos últimos 25 anos Angola vem a registar uma redução acentuada no número de pessoas que padecem de desnutrição. Até 1992 “a taxa de pessoas subnutridas era de 63,3% do total da população”, percentagem que desceu para 18% em 2014, segundo o relatório.

A União Europeia adoptou a estratégia do Prado ao Prato em defesa de sistemas alimentares mais justos, saudáveis e amigos do ambiente, para que as populações e o planeta se mantenham saudáveis. Tal envolve uma política com impacto ambiental neutro ou positivo; que ajude a mitigar as mudanças climáticas e se adapte aos seus impactos; reverta a perda de biodiversidade; garanta a segurança alimentar, a nutrição e a saúde pública, assegurando o acesso universal a alimentos suficientes, seguros, nutritivos e sustentáveis; preserve a acessibilidade dos alimentos enquanto gera retornos económicos mais justos, fomentando a competitividade do sector de abastecimento e promovendo o comércio justo.

A estratégia do Prado ao Prato está no cerne do European Green Deal, o plano da União Europeia para tornar a sua economia sustentável, transformando os desafios climáticos e ambientais em oportunidades, e impulsionando uma transição ecológica na sociedade de forma justa e inclusiva. Esta agenda de transformação económica abrange todas as políticas relacionadas (energia, construção, transportes, indústria, comércio, agricultura, biodiversidade). E mobiliza uma grande variedade de instrumentos: regulamentos e normas, finanças sustentáveis, fiscalidade, educação, investigação, diplomacia, entre outros. O objectivo transversal de tornar a União Europeia neutra em termos de clima até 2050 pode constituir um exemplo para outras nações alinharem as suas estratégias de desenvolvimento em sectores específicos.

Uma das prioridades da política de cooperação para o desenvolvimento da União Europeia é a agricultura sustentável. Com a maioria das pessoas pobres e subnutridas a viver em áreas rurais, a agricultura de pequena escala é o motor da economia. Apoiar os pequenos agricultores e desenvolver as áreas rurais ajuda assim a reduzir a pobreza, estimula o crescimento económico inclusivo e sustentável, e melhora a nutrição.

Em Angola, a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (ENSAN) está em linha com a Melhoria da Nutrição Materna e Infantil na Assistência Externa da União Europeia de 2013 e o Plano de Acção de Nutrição de 2014, que visa a redução da desnutrição crónica (nanismo) entre crianças com menos de cinco anos de idade.

O FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola é fundamental para incrementar o apoio e o conhecimento das vertentes de desenvolvimento da União Europeia, mantendo na agenda política as áreas de agricultura e desenvolvimento, segurança alimentar, nutrição e mudanças climáticas.

Resiliência

A aposta na prevenção e na preparação

O termo “resiliência” é utilizado desde os anos 1970 em inúmeras circunstâncias, que vão dos desastres naturais à engenharia, passando pela ecologia ou a psicologia. No quadro do Desenvolvimento a sua utilização tem sido relacionada com questões humanitárias, área em que tem registado uma evolução significativa.

As situações de crise e de vulnerabilidade são cada vez mais complexas, e a escala de desastres naturais e de conflitos tem aumentado, o que tem impacto nas necessidades de resposta como as de cariz humanitário.

Gerar ou fortalecer resiliência – nas pessoas, famílias, comunidades e nos países mais vulneráveis – visa aumentar a capacidade de gerir mudança, mediante a manutenção ou transformação das condições de vida, face a desastres e choques como fenómenos climáticos extremos, seca, terramotos, erupções vulcânicas, ou conflitos, sem comprometer as perspectivas a longo prazo.

Os desastres e conflitos afectam as nações de forma desproporcional, sobretudo no que diz respeito às comunidades e às pessoas mais vulneráveis, nomeadamente mulheres e crianças. De acordo com o Camões, I.P., estima-se que 97% das mortes devido a desastres naturais ocorram em países em desenvolvimento, onde as estruturas físicas, institucionais e humanas são frágeis.

Constatando-se que as iniciativas deveriam ir além da resposta às necessidades imediatas decorrentes dos desastres e conflitos, as entidades no terreno começaram a apostar na prevenção e na preparação contra riscos de catástrofes – uma característica fundamental das sociedades resilientes – e a criar condições para um desenvolvimento sustentável.

Assim, a resposta a crises humanitárias deve ser implementada por sistemas locais e nacionais eficazes, com acesso aos recursos humanos e materiais necessários para cobrir de modo eficiente as necessidades básicas das pessoas afectadas. Deve ainda ser assegurado que os esforços desenvolvidos para a sua recuperação consigam colocar estas pessoas num processo de desenvolvimento sustentável, quebrando o círculo de pobreza – e tornando-as mais resilientes.

O Programa FRESAN – alinhado com o Plano de Acção para Resiliência em Países Propensos a Crises (2013) – segue, no Sul de Angola, uma abordagem holística para construir resiliência e melhorar a nutrição nas três províncias mais vulneráveis, que enfrentam secas recorrentes e que são propensas a riscos: o Cunene, a Huíla e o Namibe.

As comunidades têm um papel fundamental na gestão da nutrição e na promoção da segurança alimentar. O FRESAN/Camões, I.P. desenvolve acções de informação, de sensibilização e de formação para Agentes Comunitários de Saúde, técnicos municipais e profissionais de saúde, bem como agregados familiares vulneráveis, em particular mulheres, de forma a capacitar as comunidades na gestão da nutrição.

As mulheres em idade reprodutiva, adolescentes e mães de crianças menores de cinco anos beneficiam de campanhas de sensibilização utilizando metodologias participativas de forma a aumentarem o seu conhecimento em educação alimentar e nutricional.

Por outro lado, desenvolvem-se actividades de reforço institucional junto do Ministério de Saúde de Angola (MINSA) com vista a apoiar a revisão e a elaboração de materiais pedagógicos, a implementação de planos de formação e de supervisão de profissionais de saúde e das respectivas unidades sanitárias, além da melhoria do Sistema de Vigilância Nutricional angolano.