Grandes projectos são feitos com grandes pessoas: consulte aqui as oportunidades.

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Programa FRESAN: Ministro da Agricultura e Florestas constata progressos na Estação Agrícola do Namibe

O FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola (iniciativa do Governo angolano financiada pela União Europeia) realizou hoje uma acção de campo em Moçâmedes, na antecâmara de Comité de Direcção de Programa FRESAN, que se realiza no Namibe amanhã, 26 de Janeiro.

O evento contou, pela primeira vez na implementação do Programa FRESAN no Sul de Angola, com forte presença de altos representantes das administrações central e local. Acompanharam o périplo o ministro da Agricultura e Florestas, António de Assis; o governador da província do Namibe, Archer Mangueira; o vice-governador da província do Namibe, Abel Kapitango; o vice-governador para o Sector Político, Social e Económico da Província do Cunene, Apolo Ndinoulenga. Estiveram presentes também a embaixadora da União Europeia em Angola, Rosário Bento Pais; o embaixador de Portugal em Angola, Francisco Alegre Duarte; Miguel Girão de Sousa, adido para a Cooperação da Embaixada de Portugal em Angola, entre outros altos dignatários.

A iniciativa consistiu na deslocação à EEAN – Estação Experimental Agrícola do Namibe, em que foi dado a conhecer o reforço institucional FRESAN/Camões, I.P. à EEAN. O objectivo é que a Estação possa cumprir a sua missão de fortalecimento no Sul de Angola, nomeadamente na adaptabilidade e na multiplicação de sementes das principais culturas alimentares na região, aproximando assim o Governo de Angola do intento de capacitar ainda mais a EEAN e de a tornar maior.

A acompanhar a visita à Estação, Rosário Bento Pais, embaixadora da União Europeia em Angola, destacou  a vertente que, inserida no apoio FRESAN/Camões, I.P. à EEAN, tem a ver com “a investigação de plantas e sementes que sejam adaptáveis a estes solo e clima, que precisem de pouca água – outro elemento deste Programa: a adaptação às alterações climáticas. Uma vez visto quais as melhores plantas e sementes que se dão nestes solos semiáridos, e quais as mais eficazes, é multiplicar a produção”. A que se acrescenta “a captação de água onde ela existe e levá-la até aos campos agrícolas, com pequenas infra-estruturas e furos”. Sublinhou ainda que “a parte nutricional também é muito importante”.

Francisco Alegre Duarte, embaixador de Portugal em Angola, complementou, referindo que “os avanços científicos, o saber no terreno… tudo se conjuga para o projecto perdurar no futuro”. Ressaltou como o FRESAN “é fundamental para o Sul de Angola, em virtude das alterações climáticas, dos novos desafios para a agricultura e para a nutrição destas populações”. E como “aquilo que vimos hoje me deixa optimista, porque os progressos” no âmbito dos projectos inseridos no Programa FRESAN “são tangíveis, visíveis. E vemos que há confiança dos beneficiários no que estão a fazer, porque sentem os resultados”. Há “optimismo para mudar, e isso é muito importante”. O embaixador destacou a relevância da presença na EEAN do ministro da Agricultura e Florestas, António de Assis, acrescentado que “é muito importante o envolvimento de todos os parceiros da União Europeia, e de Portugal, através do Camões, I.P.” Concluiu que “o objectivo não é que o FRESAN se prolongue indefinidamente. O objectivo do FRESAN é deixar as sementes em termos de construção do saber, de capacitação – para as populações e as instituições”.

Seguiu-se a deslocação ao Giraúl de Cima, com a apresentação da intervenção no terreno via o Ma Tuningi (“Vamos fazer juntos” no dialecto da tribo Mucubal), um dos 19 projectos subvencionados pelo FRESAN/Camões, I.P. Aqui foi possível constatar os sólidos investimentos em infra-estruturas hídricas para consumo humano e irrigação; ficar a conhecer as lavras familiares de membros das cooperativas Lhavakama e Milow Kaluelula; e aferir o impacto do FRESAN no dia-a-dia dos beneficiários através do Ma Tuningi, com a introdução de culturas climaticamente inteligentes e novas técnicas agrícolas como a cobertura morta (que mantém a humidade do solo, requer menos regas, logo, menor consumo e gastos), a técnica consórcio (maximização de espaço mediante o cultivo simultâneo, num mesmo local, de duas ou mais espécies com características distintas), ou a transformação de alimentos efectuada pelas cooperativas.

Abel Kapitango, vice-governador da província do Namibe, que acompanhou a visita ao Giraúl de Cima, mostrou-se feliz, dado que “acompanhei o início do Programa FRESAN, as dificuldades ao longo da sua implementação, e hoje considero um sonho realizado”. Isto porque “traz regularidade de água, indispensável para que estas comunidades pratiquem agricultura, que é a sua principal vocação; e também porque trouxe uma componente social de fornecimento de água às populações. Esta zona é muito quente e tem pouca água”. Reconheceu que se sente “orgulhoso por participar” no FRESAN. Acrescentou que o projecto Ma Tuningi “está a acompanhar cinco cooperativas já legalizadas, contempla a construção de uma sede para cada uma delas, e vai comportar, para além da componente de escritório, um armazém e uma cozinha para transformação, o que vem mudar radicalmente aquilo que se fazia até hoje”. E passou a explicar: “esta componente de conservação e de transformação irá com certeza agregar valor e fazer com que as comunidades não tenham muito prejuízo nos momentos de pico de produção”. Contou ainda como participou “na atribuição e na legalização destas terras com os gestores do projecto, e criámos condições para que o concurso público de adjudicação das obras decorresse com normalidade e, pelo que ouvimos hoje, as obras começam em menos de 30 dias, o que é perfeito: irá mudar a vida da comunidade”, dado que representa “mais emprego, maior facilidade de tratamento dos produtos. É o futuro”.

Em relação à EEAN, Abel Kapitango considerou que, “com o Programa FRESAN, foi totalmente reforçada do ponto de vista de capacidade de actuação. Com os seus bancos de mandioca, batata… é hoje o principal distribuidor de sementes da região sul”. E, com o reforço institucional FRESAN/Camões, I.P., “a Estação cumpre a sua missão. Já dispõe de máquinas e o sistema de captação de água foi modernizado, o que dá melhores condições para a produção, e isto alegra-nos bastante”. E fez questão de referir que este reforço “é semelhante ao da Estação da Cacanda, com a produção de feno, para aumentar a resiliência do nosso gado naquelas rotas de transumância”.

Manuel Segunda, beneficiário FRESAN, falou da sua experiência em cooperativismo: “significa termos uma colaboração entre os agricultores e a direcção” da cooperativa. Acrescentou que a sua comunidade teve material de apoio à formação, e explicou como passou a ter conhecimentos de fitotecnia (ramo das ciências agrárias que pesquisa o crescimento e a melhor produção possível das plantas), e do “desenvolvimento da lavoura, das sementes, a plantação, a adubação, a cobertura morta, a colheita… tudo isto aprendemos com os professores, durante a formação”. Explicou também como cada agricultor das lavras familiares, quando detecta pragas nas culturas ou algo que não está bem, reporta aos técnicos agrários ou oficial do projecto Ma Tuningi, que os dotam de conhecimentos e ferramentas para lidar com estas questões. E prosseguiu, referindo que “tivemos o privilégio de receber árvores de fruto, que já plantámos”; e que utilizam adubo orgânico, produzido pelos agricultores no local, via compostagem “de várias matérias, seja esterco, seja capim seco…”, entre outras técnicas aprendidas no âmbito do Programa FRESAN.

Constantina Fiel, outra beneficiária FRESAN, deu a conhecer os produtos agrícolas que cultivam, desde batata-doce a mamão, passando pela beringela, limão, manga, entre outros. Acrescentou que, antes do Ma Tuningi/FRESAN, havia muito desperdício de hortícolas e fruta que, quando já não eram frescos, eram deitados fora; agora, com o conhecimento adquirido, sabem que podem reaproveitar o que era considerado restos – de que é já resultado a produção de doce de mamão e de manga. Declarou ainda que tem aprendido muito, e que o projecto tem sido muito útil.

Ficha técnica

1. Visita à Estação Experimental Agrícola do Namibe (EEAN) para constatação do reforço institucional que tem sido desenvolvido em parceria com o Instituto de Investigação Agronómica (IIA).

ActividadeReforço institucional à Estação Experimental Agrícola do Namibe (EEAN)
Parceiro institucionalIIA – Instituto de Investigação Agronómica
Principais actividadesReforço da capacitação dos técnicos da Estação . Reforço da maquinaria agrícola . Instalação de sistema de rega . Apoio com consumíveis . Estratégia para conservação de sementes.
Área geográfica
de intervenção
Moçâmedes, Namibe
Objectivo geral  Reforçar as capacidades da EEAN para que possa cumprir a sua missão de fortalecimento da segurança alimentar e nutricional.
Objectivos específicosCriar um ecossistema de investigação/experimentação a nível do melhoramento genético e tecnologias de intensificação sustentável da agricultura local . Organizar um sistema local de produção de sementes das principais espécies agrícolas usadas na região . Organizar um sistema de disseminação/distribuição de sementes e propágulos pelas populações.
Grupo-alvo/beneficiários Camponeses tradicionais da região

Actividades desenvolvidas:

  1. Fornecimento de 16 toneladas de adubos fertilizantes (sulfato de amónio, 12-24-12, TSP 00-46-00, nitrato potássio).
  2. Entrega de maquinaria de apoio às actividades EEAN, nomeadamente: 1 tractor 75Cv, 1 semeador pneumático de precisão, 1 pulverizador 600L, 1 escarificador de 8 braços, 1 debulhadora de grão fixa.
  3. Fornecimento de materiais para manutenção das espécies arbóreas da EEAN (motosserra, tesouras de poda de vários tipos).
  4. Fornecimento de sacos de polinização.
  5. Instalação de um sistema de 12 blocos de rega num total de 7 ha, incluindo vedação da parcela; reabilitação da casa de máquinas do furo industrial com colocação de uma bomba eléctrica.
  6. Instalação de um gerador de 20 Kw.
  7. Acompanhamento técnico pelo perito agrário FRESAN/Camões I.P.
  8. Formação nas seguintes temáticas: i) produção, conservação e utilização de forragens; ii) conceitos, princípios e práticas agronómicas de intensificação sustentável da agricultura; iii) desenho e organização de programas de melhoramento genético; iv) manuseamento e gestão do sistema de rega; v) workshop banco de germoplasma do semiárido do Sul de Angola.

Resultados alcançados na EEAN:

  • Instalação de ensaios em variedades resilientes de massango, massambala, feijão macunde e feijão comum, e milho.
  • Realização de dia de campo com a explicação das variedades ensaiadas e escolha de pequenos agricultores.
  • Distribuição de propágulos de batata-doce a beneficiários do Programa FRESAN/Camões I.P.
  • Capacitação de 4 técnicos da EEAN nas temáticas acima mencionadas.
  • Colheita de 220 Kg de milho, variedade ZM 309, para distribuição pelos beneficiários FRESAN.

Próximos apoios:

  • Melhoramento do sistema de rega
  • Fornecimento de calibrador
  • Capacitação dos técnicos.

2. Visita às lavras familiares de membros das cooperativas Lhavakama e Milow Kaluelula, actividade desenvolvida no âmbito do projecto Ma Tuningi, subvencionado pelo FRESAN/Camões I.P., com implementação pela organização não governamental FEC – Fundação Fé e Cooperação.

Projecto subvencionadoMa Tuningi
Organização não governamental (ONG)FEC – Fundação Fé e Cooperação
Principais resultados
a alcançar
200 agregados familiares com competências melhoradas e reforço dos seus meios de subsistência, através de acções de educação alimentar e nutricional, de diversificação de produção, da adopção de novas tecnologias agrícolas de produção e de gestão mais sustentáveis dos solos e dos pastos . Cinco associações/cooperativas de produtores capacitadas com técnicas de processamento e preservação das culturas produzidas, e facilitação do acesso aos mercados.
Área geográfica
de intervenção
Moçâmedes, Namibe
Objectivo geral  Contribuir para a redução da fome, da pobreza e da vulnerabilidade à insegurança alimentar e nutricional das comunidades afectadas pelas mudanças climáticas na província do Namibe, via o fortalecimento sustentável da agricultura familiar, conservação e uso sustentável dos solos e pastos.
Grupo-alvo/beneficiários 5 associações e cooperativas do Girául de Cima, em Moçâmedes, no Namibe.
Duração prevista31 meses (Janeiro 2022 a Agosto 2024)

Cooperativas do Girául de Cima:

  1. Acesso a água: foram melhorados os poços/furos das cooperativas por meio da instalação de um sistema melhorado de captação (bomba submersível) alimentado por placas solares. Como complemento, foram construídos tanques. reservatórios e um sistema de rega gota-a-gota para os campos demonstrativos;
  2. Introdução de boas práticas agrícolas: os agricultores e membros das cooperativas têm sido capacitados sobre boas práticas agrícolas, respeitando os princípios agroecológicos, em que as principais temáticas são: controlo integrado de pragas e doenças, fertilidade e sanidade do solo e da planta, diversificação de culturas, sistema integrado de produção e protecção de plantas.
  3. Transformação e conservação de alimentos: transformação de frutas (doce de mamão) e hortícolas excedentes da produção, de forma a aumentar a validade

de consumo dos produtos e agregar valor comercial.

  • Realização de estudos sobre a caracterização da área de intervenção e análise da cadeia de valor dos principais produtos da região.
  • Formação em cooperativismo: principais temas abordados: i) princípios de gestão de uma cooperativa; ii) direcção financeira; iii) mecanismos de gestão iv) introdução de ferramentas de controlo e gestão.
  • Testes de controlo de pragas: projecto-piloto de controlo da tuta absoluta (traça-do-tomateiro) e outros artrópodes que causam estragos às culturas no campo ou armazém.
  • Construção de armazém e centro de transformação: cada cooperativa irá beneficiar de uma sede que terá uma unidade de transformação e armazenamento de produtos. Processo em curso; os terrenos já foram identificados e legalizados.

Data: 25 de Janeiro de 2024