EUR 65 milhões da União Europeia para populações afectadas pela fome e a seca no Sul de Angola

O programa abrange 600 mil famílias em três províncias no Sul do país e tem a sua abordagem baseada em quatro componentes interligadas, que permitem atacar as causas da insegurança alimentar e nutricional, e a vulnerabilidade das populações das regiões mais afectadas pelas alterações climáticas em Angola, bem como lacunas institucionais aos níveis central e regional.

Trata-se do FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola, programa que surge da parceria entre a União Europeia e Angola, abrangendo 600 mil famílias nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe, numa estimativa de 30% de agregados familiares, prevendo alcançar 60 mil mulheres com informação para a melhoria da nutrição das suas crianças e famílias.

Danilo Barbero, adido da cooperação e gestor de projecto na Delegação da União Europeia em Angola, afirma que o FRESAN visa fortalecer as comunidades e as instituições locais e dar respostas concretas no sentido de as populações poderem enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas.

A primeira componente do programa tem como objectivo a resiliência e produção sustentável da agricultura familiar e fortalecimento da resiliência da agricultura familiar no contexto das mudanças climáticas, através da implementação e desenvolvimento das escolas de campo para agricultores; adoptando tecnologias de agricultura sustentável adequadas às condições agro-climáticas das três províncias; apoiar a criação e o desenvolvimento de associações e de cooperativas de agricultores nas áreas de gestão, organização e comercialização e apoio (com investimento, capacitação e assistência técnica) às iniciativas locais de processamento de alimentos e preservação de produtos agrícolas, entre outros.

A “melhoria da nutrição por meio de transferências sociais com foco na educação e nutrição” é outra das componentes do programa, cujo objectivo é informar, sensibilizar e formar em nutrição os ADECOS – Agentes de Desenvolvimento Comunitário e de Saúde. Esta componente vai incidir sobre os agregados familiares vulneráveis (em particular mulheres), criando capacidades para a gestão da desnutrição baseada na comunidade; estabelecer, desenvolver e impulsionar sistemas de reservas de alimentos e outras iniciativas de redes de segurança a nível local; construir/reabilitar infra-estruturas de captação de água e melhorar o acesso, gestão e conservação de água para irrigação e consumo humano e animal. Busca ainda o “fortalecimento institucional e gestão de informação multissectorial e o teste de acções sensíveis à nutrição com boa relação custo-benefício”.

O projecto vai também compilar e reorganizar mecanismos de informação para a segurança alimentar e nutricional e as mudanças climáticas, preparar e implementar um projecto de pesquisa que combine diferentes actividades sensíveis à nutrição elaboradas para se complementarem, a fim de “encontrar evidências e conhecimentos sobre a sua eficácia e impacto para melhorar o estado nutricional da população infantil e reduzir a mortalidade em menores de cinco anos”.

Fonte: O País (24/05/2021)