Financiamento da UE beneficia 600 mil famílias

Até ao momento 30% dos agregados familiares das províncias mais afectadas pela seca já beneficiaram do programa que teve início em 2018 e vai até 2024.

O programa de Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola, FRESAN, financiado pela União Europeia, EU, já beneficiou mais de 600 mil famílias no Cunene, Huila e Namibe. E está a formar cerca de 60 mil mulheres para melhorar a nutrição das crianças. Com um financiamento de 65 milhões de Euros, o programa que teve início em 2018 e se estende até 2024, é uma iniciativa conjunta entre o Governo e a UE com objectivo de reduzir a fome, a pobreza e a vulnerabilidade das comunidades nas três províncias mais afectadas pela seca no sul do País.

De acordo com a vice-governadora da província da Huíla para o sector político e social, Maria João Chipalavela, a implementação do FRESAN é um processo diário e continuo de “construção conjunta”. Realçou a necessidade do êxito para o alcance de maior resiliência nas comunidades.

Já a chefe de cooperação da Delegação da União Europeia em Angola, Manuela Navarro, assevera que o FRESAN “tem de assegurar sustentabilidade e perenidade”, enquanto dá “protagonismo às organizações não governamentais, para que no fim do programa estas assegurem a sua sustentabilidade”.

Por seu turno, o adido da cooperação e gestor de projecto na Delegação da União Europeia em Angola, Danilo Barbero, reforçou durante a sua apresentação o conceito de que o FRESAN visa fortalecer as comunidades e as instituições locais e dar respostas concretas no sentido de as populações poderem enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas.

O gestor de projecto FRESAN no PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, João Neves, considera o programa como forma de “promover a mudança do cenário de catástrofe que quase se vive no Sul de Angola”.

O FRESAN é implementado em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, de Portugal; as organizações das Nações Unidas em Angola: a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, e o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; bem como o Vall d’Hebron Barcelona Hospital Campus, de Espanha.

FRESAN em números:

  • 3 províncias abrangidas pelo FRESAN: Cunene, Huíla e Namibe
  • – 6 municípios do Cunene: Cahama, Cuanhama, Curoca, Cuvelay, Namacunde, Ombadja;
    – 11 municípios abrangidos na Huíla: Cacula, Caluquembe, Chiange, Chibia, Chicomba, Humpata, Jamba, Kuvango, Matala, Quilengues, Quipungo (num total de 14)
    -3 municípios no Namibe: Bibala, Tômbua, Virei (num total de cinco)
  • 65 milhões de euros de financiamento pela União Europeia
  • 2018-2024 – duração do FRESAN
  • 9 projectos em curso nas três províncias
  • 85% da agricultura nas áreas rurais é praticada por pequenos agricultores, com uma média de 1,5 hectares por família
  • 70% da agricultura tradicional de subsistência é levada a cabo por mulheres
  • 600 mil famílias beneficiadas
  • 30% estimativa dos agregados familiares beneficiários nas 3 províncias
  • 60 mil mulheres recebem informação sobre melhor nutrição para as suas crianças e famílias

Fonte: Mercado (20/05/2021)